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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

A HISTÓRIA DE SANTA CECILIA

No dia 22 de Novembro, comemora-se o Dia do Músico. É também o dia da padroeira dos músicos, Santa Cecília.

CORPO PRESERVADO DE SANTA CECÍLIA
Segundo a Igreja Católica, Cecília era uma jovem e bela romana. Nascida no século II, foi prometida em casamento ao jovem Valeriano. No dia das núpcias confessou ao noivo que havia consagrado sua pureza a Jesus Cristo e que um anjo guardava sua virgindade.

Valeriano, que era ateu, disse que respeitaria sua vontade, desde que ele visse o tal anjo. Cecília então pediu que ele procurasse o bispo Urbano, para que fosse batizado e purificado. Seguindo as instruções da noiva, Valeriano tornou-se cristão e teve a visão do anjo. O casal passou então a professar junto a fé cristã, tendo convertido também Tibúrcio, irmão de Valeriano.

Mas os cristãos eram permanentemente perseguidos pelo Império Romano e logo os irmãos caíram na mão dos pretorianos, que os executaram. Cecília foi presa ao enterrar o corpo do cunhado e do marido. Como era muito popular em Roma, por sua ajuda aos pobres, foi decidido que ela seria morta em sua casa, para evitar protestos. Prenderam-na em um quarto de banhos quentes, para que morresse asfixiada. Mas o que aconteceu surpreendeu a todos e valeu a Cecília o título de padroeira dos músicos. Durante três dias e três noites Cecília ficou entoando cantos de louvor a Deus. Intrigados com tamanha resistência, os algozes a tiraram de lá para degolá-la. Por três vezes a tentativa do algoz falhou e ela foi deixada para morrer agonizando, já que pela lei romana esse era o número máximo de vezes em que se poderia tentar a degola. Cecília perdeu as cordas vocais e levou ainda um tempo para morrer, mas seus cânticos ainda podiam ser ouvidos.

No ano de 323, o cristianismo foi adotado como religião oficial do Império Romano. Foi criada uma basílica na cidade italiana de Travestere, onde teria sido a casa de Cecília, que foi canonizada. Lá repousam os restos mortais da Santa, que é uma das mais veneradas da Igreja Católica e a que possui mais capelas e igrejas dedicadas a seu nome na Europa.
A todos que receberam este dom divino de cantar, compor ou tocar um instrumento, os parabéns do Portoweb e os votos de que sua música contribua para a construção de um mundo cada vez melhor.

Certa vez, o cardeal brasileiro dom Paulo Evaristo Arns assim definiu a arte musical: “A música, que eleva a palavra e o sentimento até a sua última expressão humana, interpreta o nosso coração e nos une ao Deus de toda beleza e bondade”. Podemos dizer que, na verdade, com suas palavras ele nos traduziu a vida da mártir santa Cecília.

A sua vida foi música pura, cuja letra se tornou uma tradição cristã e cujos mistérios até hoje elevam os sentimentos de nossa alma a Deus. Era de família romana pagã, nobre, rica e influente. Estudiosa, adorava estudar música, principalmente a sacra, filosofia e o Evangelho. Desde a infância era muito religiosa e, por decisão própria, afastou-se dos prazeres da vida da Corte, para ser esposa de Cristo, pelo voto secreto de virgindade. Os pais, acreditando que ela mudaria de idéia, acertaram seu casamento com Valeriano, também da nobreza romana. Ao receber a triste notícia, Cecília rezou pedindo proteção do seu anjo da guarda, de Maria e de Deus, para não romper com o voto.

Após as núpcias, Cecília contou ao marido que era cristã e do seu compromisso de castidade. Disse, ainda, que para isso estava sob a guarda de um anjo. Valeriano ficou comovido com a sinceridade da esposa e prometeu também proteger sua pureza. Mas para isso queria ver tal anjo. Ela o aconselhou a visitar o papa Urbano, que, devido à perseguição, estava refugiado nas catacumbas. O jovem esposo foi acompanhado de seu irmão Tibúrcio, ficou sabendo que antes era preciso acreditar na Palavra. Os dois ouviram a longa pregação e, no final, converteram-se e foram batizados. Valeriano cumpriu a promessa. Depois, um dia, ao chegar em casa, viu Cecília rezando e, ao seu lado, o anjo da guarda.

Entretanto a denúncia de que Cecília era cristã e da conversão do marido e do cunhado chegou às autoridades romanas. Os três foram presos, ela em sua casa, os dois, quando ajudavam a sepultar os corpos dos mártires nas catacumbas. Julgados, recusaram-se a renegar a fé e foram decapitados. Primeiro, Valeriano e Turíbio, por último, Cecília.

O prefeito de Roma falou com ela em consideração às famílias ilustres a que pertenciam, e exigiu que abandonassem a religião, sob pena de morte. Como Cecília se negou, foi colocada no próprio balneário do seu palacete, para morrer asfixiada pelos vapores. Mas saiu ilesa. Então foi tentada a decapitação. O carrasco a golpeou três vezes e, mesmo assim, sua cabeça permaneceu ligada ao corpo. Mortalmente ferida, ficou no chão três dias, durante os quais animou os cristãos que foram vê-la a não renegarem a fé. Os soldados pagãos que presenciaram tudo se converteram.

O seu corpo foi enterrado nas catacumbas romanas. Mais tarde, devido às sucessivas invasões ocorridas em Roma, as relíquias de vários mártires sepultadas lá foram trasladadas para inúmeras igrejas. As suas, entretanto, permaneceram perdidas naquelas ruínas por muitos séculos. Mas no terreno do seu antigo palácio foi construída a igreja de Santa Cecília, onde era celebrada a sua memória no dia 22 de novembro já no século VI.

Entre os anos 817 e 824, o papa Pascoal I teve uma visão de santa Cecília e o seu caixão foi encontrado e aberto. E constatou-se, então, que seu corpo permanecera intacto. Depois, foi fechado e colocado numa urna de mármore sob o altar daquela igreja dedicada a ela. Outros séculos se passaram. Em 1559, o cardeal Sfondrati ordenou nova abertura do esquife e viu-se que o corpo permanecia da mesma forma.

A devoção à sua santidade avançou pelos séculos sempre acompanhada de incontáveis milagres. Santa Cecília é uma das mais veneradas pelos fiéis cristãos, do Ocidente e do Oriente, na sua tradicional festa do dia 22 de novembro. O seu nome vem citado no cânon da missa e desde o século XV é celebrada como padroeira da música e do canto sacro.

Atualmente celebramos a santidade da virgem que foi exaltada como exemplo perfeitíssimo de mulher cristã, pois em tudo glorificou a Jesus. Santa Cecília é uma das mártires mais veneradas durante a Idade Média, tanto que uma basílica foi construída em sua honra no século V. Embora se trate da mesma pessoa, na prática fala-se de duas santas Cecílias: a da história e a da lenda. A Cecília histórica é uma senhora romana que deu uma casa e um terreno aos cristãos dos primeiros séculos. A casa transformou-se em igreja, que se chamou mais tarde Santa Cecília no Trastévere; o terreno tornou-se cemitério de São Calisto, onde foi enterrada a doadora, perto da cripta fúnebre dos Papas.

No século VI, quando os peregrinos começaram a perguntar quem era essa Cecília cujo túmulo e cuja inscrição se encontravam em tão honrosa companhia, para satisfazer a curiosidade deles, foi então publicada uma Paixão, que deu origem à Cecília lendária; esta foi sem demora colocada na categoria das mártires mais ilustres. Segundo o relato da sua Paixão Cecília fora uma bela cristã da mais alta nobreza romana que, segundo o costume, foi prometida pelos pais em casamento a um nobre jovem chamado Valeriano. Aconteceu que, no dia das núpcias, a jovem noiva, em meio aos hinos de pureza que cantava no íntimo do coração, partilhou com o marido o fato de ter consagrado sua virgindade a Cristo e que um anjo guardava sua decisão.

Valeriano, que até então era pagão, a respeitou, mas disse que somente acreditaria se contemplasse o anjo. Desse desafio ela conseguiu a conversão do esposo que foi apresentado ao Papa Urbano, sendo então preparado e batizado, juntamente com um irmão de sangue de nome Tibúrcio. Depois de batizado, o jovem, agora cristão, contemplou o anjo, que possuía duas coroas (símbolo do martírio) nas mãos. Esse ser celeste colocou uma coroa sobre a cabeça de Cecília e outra sobre a de Valeriano, o que significava um sinal, pois primeiro morreu Valeriano e seu irmão por causa da fé abraçada e logo depois Santa Cecília sofreu o martírio, após ter sido presa ao sepultar Valeriano e Tibúrcio na sua vila da Via Ápia.

Colocada diante da alternativa de fazer sacrifícios aos deuses ou morrer, escolheu a morte. Ao prefeito Almáquio, que tinha sobre ela direito de vida ou de morte, ela respondeu: “É falso, porque podes dar-me a morte, mas não me podes dar a vida”.Almáquio condenou-a a morrer asfixiada; como ela sobreviveu a esse suplício, mandou que lhe decapitassem a cabeça.

Nas Atas de Santa Cecília lê-se esta frase: “Enquanto ressoavam os concertos profanos das suas núpcias, Cecília cantava no seu coração um hino de amor a Jesus, seu verdadeiro Esposo“. Essas palavras, lidas um tanto por alto, fizeram acreditar no talento musical de Santa Cecília e valeram-lhe ser padroeira dos músicos. Hoje essa grande mártir e padroeira dos músicos canta louvores ao Senhor no céu.

Santa Cecília, rogai por nós.

BASÍLICA DE TRANSTEVERE
Piazza di Santa Cecilia – Roma – Italia


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

A REPÚBLICA BRASILEIRA

Confecção da primeira bandeira republicana

O Império Brasileiro se exauriu em 15 de novembro de 1889. A corrupção estava corroendo o sistema monárquico brasileiro, apesar de ser o Imperador, a grande reserva moral do Império. Sua saúde era inspiradora de cuidados especiais. Era geral o descontentamento dos grandes fazendeiros, em especial pela libertação dos escravos e estes eram os pilares de sustentação do II Império. Antigos escravos perambulavam pelas cidades e estradas causando enormes crises sociais e gerando expressiva pobreza. O exército já não obedecia totalmente às ordens do Imperador, enfraquecido com as ideias republicanas disseminadas pelos jovens que estudavam na Europa e pela proibição imperial proibindo manifestações por parte de membros do exército em favor da República. A imprensa motivava a classe média, os liberais, e a população mais esclarecida em favor da mudança do sistema de governo. A Igreja se mostrava hostil ao Império e sermões em favor da República eram repetidos nos púlpitos de várias cidades brasileiras, principalmente nas grandes centros urbanos.

Os setores mais progressistas desejavam mudanças radicais. Era grande o movimento contra o analfabetismo e em favor do voto censitário e da educação para todos. A população ansiava por Justiça Social. A miséria grassava de forma assustadora. A Guerra do Paraguai acelerou a crise econômica, em razão de vultuosos empréstimos feitos junto a bancos ingleses aprofundando de forma drástica e perigosamente a dívida externa, já alta. O Positivismo, de Augusto Conte, surgido na França no século XIX ganhava, dia-a-dia, mais adeptos e nomes de peso entre os militares, estudantes, intelectuais, comerciantes, artistas, profissionais liberais e até membros do alto clero brasileiro e da política. 

Rebelião entre vários setores do exercito forçou o Imperador a demitir o Conselho de Ministros e seu presidente. Foi o estopim e, o militar mais graduado do Rio de Janeiro, o Marechal Deodoro da Fonseca, assinou manifesto pelo fim do Império e instituindo a República no Brasil. Era o dia 15 de novembro de 1889, quando o Império completava 67 anos no poder. Em dias de enorme tumulto social e político, no dia 18 de novembro a família imperial partia para o exílio rumo à Europa. Por decreto elaborado pelo jurista Rui Barbosa, a partir de então, o Brasil seria governado por um presidente eleito pelo povo, e não mais um soberano vitalício. 

Nasceu, entre muitas improvisações, a República da Espada, que durou de 1889 a 1894, com Deodoro exercendo o papel de Presidente num governo provisório. Por razões de saúde e muita intriga política, em 1891 ele renunciou ao cargo, assumindo o vice, Marechal Floriano Peixoto, que intensificou forte repressão contra os apoiadores da monarquia. Também em 1891, é outorgada a primeira Constituição Brasileira, instituindo o voto universal para os cidadãos, ficando as mulheres, os analfabetos e os militares de baixa patente, fora do rol. A nascente República atendia plenamente aos interesses da elite agrária do país, forte linha agora no poder. A nova bandeira brasileira foi oficializada no dia 19 de novembro de 1889 e hasteada ao meio dia pela primeira vez no país. O Brasão Imperial foi substituído pelo losango em cor ouro, o céu de 15 de novembro de 1889, onde cada estrela representava e representa um estado e a faixa “Ordem e Progresso”, firmada com base no Positivismo Brasileiro liderado então por Benjamim Constant. Desde o advento da República o país nunca mais teve paz política. A ‘Senhora República’ completa neste ano de 2017, exatamente cento e vinte e oito anos(128) e, infelizmente, não vai bem das pernas.....

terça-feira, 14 de novembro de 2017

ANTONIO CAPRIO MINISTRA PALESTRA NO CENTRO EDUCACIONAL DE TANABI (CET)

No dia 14/11/17 o Professor Antonio Caprio ministrou palestra no Centro Educacional de Tanabi/SP (CET), a convite da escola e da professora Maria Aparecida Ancelmo, na classe da professora Lilian Lorijola - 3º ano,  sobre a HISTÓRIA DE TANABI NA LINHA DO TEMPO.

Conforme relato do professor Antonio Caprio: Foi uma experiência ímpar e ali plantei as sementes de nossa História na linha do tempo às crianças de hoje e nossos cidadãos de amanhã. Grato à Coordenadora Ancelmo e à profª Lilian e à direção do CET pelo apoio. Conhecendo nossa História os meninos e meninas de hoje poderão apreciar o trabalho dos construtores de nossa Tanabi na linha do tempo".





quinta-feira, 2 de novembro de 2017

FINADOS



Na fachada: ‘Revertere ad locum tuum’.
Paredes brancas, de cal recobertas,
Coroas de flores a enfeitar o cenário.


Adentra-se por pesadas portas de ferro.
Ao longe, no fundo da alameda, a capela.
Dos lados da avenida, túmulos diversos.


Flores, vasos, velas,
Homens, mulheres, crianças.
Vão e vêm. Parece festa.


Comadres se encontram. Conversam alto.
Parentes de há muito distantes, reencontram-se.
O vozeio aumenta. Abraços e cumprimentos se vêem.


Nalgum túmulo, semi-destruído pelo tempo, o esquecimento.
Nenhuma flor a balançar ao sabor do vento quente.
Ninguém a chorar por aquele que há muito partiu.


Noutros, de mármore trabalhados, de flores recobertos,
parentes a choramingar. Outros a observar, só observar.
Velas dominam os aparatos de metal. Queimam em profusão.


Termina o dia. O Sol começa a se por no horizonte.
Quase reina silêncio no cemitério. Poucos restam a orar.
As flores foram levadas. Só algumas ficaram. Só algumas.


Pouco depois a solidão. Foram-se os vivos.
Ficaram os mortos, de novo a sós. Abandonados.
Silêncio. A Ave Maria ecoa pelos ares.


Não há ninguém para ver por isso levaram os enfeites.
Mostra o homem, assim, a falsidade real e concreta.
Agrada aos mortos enquanto algum vivo espreita seus atos.


Ah! Homem.
Amanhã tu também serás pó.
Nenhuma flor restará sobre teu túmulo, teu último refúgio.
Lembrarás, porém, a inscrição da lapide serena e calma:
Fui o que tu és, tu serás o que sou. 


terça-feira, 31 de outubro de 2017

A QUESTÃO DOS MORTOS



A questão da lembrança dos mortos, hoje definidas como “Dia de Finados” remonta aos primórdios da própria humanidade, com o nascimento da ‘Razão’, da memória histórica, do medo e do respeito aos que deixam de viver e se tornam seres do imaginário filosófico e teosófico. 

Um dos mais brilhantes livros que encontrei em minhas leituras, e relativos ao homem como ser pensante, inteligente, intuitivo e com memória histórica, é Cidade Antiga, publicado em 1864, de Fustel de Coulanges, genial escritor francês, nascido em 1830 e falecido em 1889. 

Desde os tempos perdidos na própria linha dos anos, a morte causa estupefação, medo e surpresa ao homem. O falecido sempre ocupou lugar material entre os seus conterrâneos e a lembrança, a memória do mesmo deve ser mantida. Perdida a memória o ente morre definitivamente. No capítulo II de Cidade Antiga, há espaço especial com relação ao culto aos mortos. A crença pós-vida deu lugar a fortes regras de conduta. Os mortos eram considerados criaturas sagradas. Tornavam-se divindades e tinham nas próprias casas onde viveram altares em sua homenagem e cultos rígidos praticados pelo homem mais velho do clã. A mulher era banida deste culto. Cícero dizia que ‘os mortos são homens que deixaram de viver; reverenciai-vos como criaturas divinas’. 

Passeando pela História vemos o culto aos mortos entre os helenos, entre os latinos, os sabinos, os gregos, os romanos, os etruscos, entre os árias da Índia, presente nos hinos do Rig-veda e inclusive no livros das Leis de Manu, tido como um dos cultos humanos mais antigos da humanidade. A metempsicose – transmigração da alma de um corpo para outro, seja este do mesmo tipo de ser vivo ou não - esta presente em várias religiões e cultos espalhados pelo planeta. Banquetes fúnebres ainda são presentes na Índia e outros países, inclusive Japão e China. Zeus era um deus que gostava de oferendas e bajulação, assim como outros. A morte elevou, como diz Coulanges, o pensamento do homem do visível para o invisível, do passageiro para o eterno, do humano para o divino. 

Nos tempos mais recentes, desde o século II os primeiros cristãos já oravam em favor de seus mártires, e nalguns lugares, em seus túmulos, estavam presentes com oferendas visando elevá-los à categoria de espíritos protetores, deuses e ‘amigos’. Já desde o século XI papas obrigavam a comunidade cristã a dedicar um dia do ano a seus mortos e No século XIII o dia 2 de novembro foi instituído como ‘dia dos mortos’. A História nos diz que foram os Druídas que tiveram esta iniciativa acreditando e pregando a continuidade da vida após a morte, o que se seguiu com León Denis, com a doutrina espírita. Após a Reforma Protestante o assunto foi bastante confuso, mas se efetivou entre os protestantes históricos da Europa e após 1980 foi instituída como ‘comemoração dos fiéis defuntos’. Na Prússia, Luteranos comemoram o ‘domingo dos mortos’, celebrado no ultimo domingo antes do Advento. A Igreja Metodista se vale do dia de todos os santos para comemorar o ‘dia de todos os santos, envolvendo os fiéis batizados. 

Para os espíritas, o dia, com a visita ao túmulo, é uma exteriorização da lembrança que se tem para com o ente querido. Uma forma de demonstrar a saudade, o respeito e o carinho daquele que se foi. Em muitos cemitérios se ostenta a frase latina: “Revertere ad locum tuum”, indicando que voltarás ao teu lugar....

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

O PARADOXO DO TEMPO E ESPAÇO



O tempo não existe. É uma utopia humana. O tempo sem espaço é 


ficção. O inverso é verdadeiro. Só o homem tem noção e interpreta o tempo numa linha do espaço ou o espaço numa linha do tempo.

O ser humano criou o calendário para instalar nele o tempo e o espaço. Apenas o homem tem noção do ontem, do hoje e do amanhã, três figuras imaginativas e inconsistentes, já que o passado existiu, o presente ‘parece’ existir e o futuro, poderá existir, e num estalar de dedos tudo se torna em apenas retórica de linguagem.

O agora é fruto de uma opção. Se está acontecendo é um ‘agora’ absoluto. Se faz parte do seu espaço de tempo chamado hora, minuto ou segundo, é relativo. Quando o ‘agora’ acontece ele não chega a existir para se tornar passado, daí tê-lo classificado apenas em termos de hora, minuto e segundo. Não dura mais que um breve instante. 

O passado é imutável. O futuro é previsível, mas tão inconsistente como o próprio agora. Portanto, o tempo e o espaço não sobrevivem separadamente. O tempo precisa do espaço e este não subsiste sem o tempo. E nisto tudo só o homem é dotado de entendimento e compreensão bem como o uso do tempo e do espaço, a quem denominou calendário.

O homem criou o tempo e estabeleceu como sua alma o espaço. Dizem que Deus não sofre a ação deste duo paradoxal e por isso é eterno. Não sendo submisso ao espaço não há o que se falar, com relação a Deus, em tempo. 

O homem registrou o tempo que a Terra percorre um espaço em torno do Sol. São exatos 365 d, 5h, 48m, 45s. Dividiu isto em doze meses e nasceu o mês, igual a 29d, 12h, 44m, 02s e dividindo este por trinta chegou ao dia, igual a 23h, 56, 04s. Escravo da matemática, se submeteu ao movimento dos astros para definir seu tempo de vida e do uso do tempo em sua existência e dos seus semelhantes. Embora não exista nem espaço nem tempo, estes, com uma força colossal, subjuga o homem em sua trajetória imaginária num tempo e num espaço.

Descobriu que o ‘eixo’ da Terra está inclinado com relação ao Sol em 23º e 27’. Entendeu daí porque a cada três meses o ‘tempo’ é diferente e nasceram as estações do ano. De novo o tempo e o espaço a lhe atormentar e responder às suas inquietantes perguntas. Primavera, de 23 de setembro a 21 de dezembro; verão, de 21 de dezembro a 21 de março, outono, de 21 de março a 21 de junho e inverno, de 21 de junho a 23 de setembro, no hemisfério sul. E em breve, a primavera faz com que as flores, milagrosamente, surjam, se convertam em frutos no verão, e, em outono as sementes se consolidam no milagre da continuidade da vida. No inverno se renovam para tudo recomeçar em breve. O corpo é a flor, mas a alma é a primavera, diz o poeta.

E, se não há o tempo nem o espaço, por que a natureza responde a este duo inseparável?

O espaço segue as ordens do tempo, mas, o tempo jamais se curva à vontade do espaço. 

O tempo, porém, rege a vida em todos os seus sentidos. O espaço é o trilho por onde o tempo parece acontecer. O tempo e o espaço embora pareçam separados só existem juntos e juntos, não existem.

Paradoxos?