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terça-feira, 13 de dezembro de 2016

CURIOSIDADES SOBRE NOSSA HISTÓRIA

O REINADO DE PEDRO I  - estudo
Uma coroa simboliza a realeza. Representa o poder, autoridade, liderança, legitimidade, imortalidade e humildade. Reflete o poder e a luz.
A Coroa Imperial de Dom Pedro I era pequena e sem muita riqueza. Já a de Dom Pedro II, usada em sua coroação em 18 de julho de 1841, feita pelo ourives Carlos Marin, era suntuosa. Pesa cerca de 2 quilos e é formada por 639 pedras preciosas e 77 pérolas. Foi montada com joias da Família Imperial. Está depositada no Museu Imperial em Petrópolis. O valor da coroa é estimado em um milhão de reais.

Corôas

Dom Pedro I nasceu em Queluz, Portugal, em 12 de outubro de 1798. Morreu em Portugal, aos 36 anos, de tuberculose, em 24 de setembro de 1834. Foi o instaurador do Império Brasileiro e outorgou ao país sua primeira constituição. Reinou em Portugal com o nome de Dom Pedro IV ( Portugal e Algarves).
Nome completo: Pedro Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon.
Governou como Príncipe Regente e declarou a independência do Brasil em 7 de setembro de 1922. Governou o país de 7 de setembro de 1822 a 7 de abril de 1831, quando abdicou ao trono brasileiro deixando aqui como seu sucessor o príncipe Dom Pedro II, com apenas 5 anos de idade.  Outorgou ao Brasil sua primeira Constituição em 1829. Foi rei em Portugal e Algarves.
Foi enterrado com uniforme de General, com calças brancas, medalhas e galões portugueses. Sua altura era média entre 1,66 a 1,73 metros e era de porte ‘mignon’, fisicamente frágil. Era altamente agressivo com a Imperatriz Leopoldina e portador de várias doenças venéreas em razão de vida altamente desregrada. Seus restos mortais foram transladados para o Brasil em 1972, data dos 150 anos da independência. As notícias sobre sua forma agressiva correu o mundo e foi muito difícil à diplomacia brasileira  encontrar uma nova esposa para ele após a morte da Imperatriz Leopoldina

Dr. Pedro I

Dona Maria Leopoldina – Primeira esposa de Dom Pedro I
Nome completo: Carolina Josefa Leopoldina Francisca Fernanda de Habsburgo-Lorena.
Nasceu em 22 de janeiro de 1797  em Viena, na Áustria e morreu em 11 de dezembro de 1826 no Brasil com apenas 29 anos( Wikipédia).  Teve 7 filhos e ao morrer estava grávida na 12ª semana. Foi sepultada na Quinta da Boa Vista, Bairro de São Cristovão – Rio de Janeiro. Casou-se em 13 de maio de 1817 na igreja de Santo Agostinho, em Viena, por procuração.
Foi Imperatriz do Brasil de 12 de outubro de 1822 a 11 de dezembro de 1826, coroada em 1 de dezembro de 1822. Foi a grande arquiteta da Independência do Brasil. Teve uma vida atribulada com Dom Pedro I, com grandes decepções íntimas que acabaram provocando sua morte de forma prematura.  Nas fotos é comum se ver uma imperatriz ‘ gorduchinha’, mas, isto se devia em razão da constante gravidez.
Há discrepância quanto às datas de nascimento e morte nas fontes consultadas, prevalecendo a Wikipédia – enciclopédia livre – google.

É mãe de Dom Pedro II.  

Dona Leopoldina

Dona Amélia de Leuchtemberg – Segunda esposa de Dom Pedro I
Nome completo: Amélia Maria Luisa Helena de Orleans.  Morreu em Versalles, França.

Nasceu em 31 de julho de 1812 na Inglaterra e faleceu em 4 de fevereiro de 1873 aos 61 anos. Está sepultada no Mosteiro de São Vicente de Fora em Lisboa, Portugal. Teve menos dificuldade em se relacionar com Dom Pedro I, talvez em razão do amadurecimento e da constante ação de José Bonifácio de Andrada e Silva, seu principal assessor governamental, não só na área política e diplomática como na conduta pessoal.

Dona Amélia Leuchtemberg

Relação extraconjugal de Pedro I:


Dona Domitila de Castro e Canto Melo –Marquesa de Santos.
Nasceu em São Paulo em 27.12.1797 e morreu em 03.11.1867 aos 69 anos.
Está sepultada no Cemitério da Consolação, em São Paulo. Foi amante oficial de Pedro I. Com ela teve uma filha. Exercia forte influência sobre Dom Pedro I, interferindo, inclusive, nos negócios de governo. Chegou a ser levada, de forma oficial, para morar no palácio junto com a esposa Leopoldina e filhos, causando na rainha forte depressão que pode ter sido a causa da morte prematura da rainha.
O Solar da Marquesa de Santos está localizado na antiga Rua do Carmo, São Paulo, centro, hoje rua Roberto Símonsen.  Atualmente pertence à Prefeitura Municipal e abriga museu. Foi construído com recursos do governo, embora haja fontes que garantam ter sido construído com recursos próprios de Dom Pedro I. Ao final de sua vida, Dona Domitila se transformou numa caridosa senhora auxiliando a diversas instituições de caridade e participante de associações religiosas do Rio de Janeiro.

Mansão

Túmulo Marquesa de Santos

EXUMAÇÕES:
Em setembro de 2012, em trabalho coordenado pela historiadora Valdirene Ambiel, foram feitas exumações da família imperial pela Faculdade de Medicina da USP. O material foi analisado com critérios técnicos e integralmente documentado. O caixão de Dom Pedro I foi substituído porque o original havia apodrecido e tomado por fungos. As exumações foram acompanhadas por médicos, historiadores, arqueólogos, físicos, e foram feitos exames com o uso de tomografia computadorizada, raios x, ressonância magnética e infravermelho.
Abaixo alguns resultados:


Restos mortais D. Pedro I

Os ossos apresentavam algumas deformações visto que, com o transporte, se movimentaram livres no que restava do caixão. Foram constatadas fraturas
 de quatro costelas, quebradas em acidentes de equitação em 1823 e 1829 e  inutilização de um dos pulmões e outros traumatismos noticiados pela história. Talvez o trauma pulmonar tenha contribuído para com sua morte por tuberculose.

Crânio de Dom Pedro I. Na composição fotos de suas esposas Dona .Amélia  e Dona  Leopoldina.





Dona Leopoldina – restos mortais.

A roupa utilizada no enterro é igual outra vista em retrato da imperatriz e usada no dia de seu casamento. O esqueleto se encontrava em razoável estado de conservação e no lugar correto, protegido de movimentos pela farta roupagem que circundava o corpo. Ela era de estatura pequena e de mãos delicadas. O cabelo era abundante. O rosto de notável expressão e equilíbrio. Não havia nenhuma lesão no fêmur. Haviam rumores de que Dom Pedro teria empurrado Dona Leopoldina escada abaixo e disto teria resultado fratura do fêmur e por esta razão sua morte. Nada disso foi constatado ficando o fato por conta de informações inverídicas.

Dona Amélia – restos mortais – mumificação de 1873. Foi sepultada com roupa preta, sua cor predileta. Segunda esposa de Dom Pedro I.

Foi retratada com a mesma roupa, enfeitada com fios de prata e destaques em ouro.



O corpo está bem preservado e, apesar do desejo, em vida, de não ser mumificada, os responsáveis pelas exéquias, o fizeram, mostrando preservação perfeita dos cílios, globos oculares, unhas, cabelos e órgãos internos. Ao abrir o caixão sentiu-se no ambiente forte cheiro de cânfora, usado no processo de embalsamamento.  As mãos de Dona Amélia apresentam notável preservação, apesar da cor escurecida e tecido ressequido.  Seguram um crucifixo de madeira e metal.




A USP pretende fazer a exumação dos restos mortais de Pedro II, de sua esposa Teresa Cristina, da Princesa Isabel e de seu marido o Conde D’Eu com data ainda não definida.

REGISTROS HISTÓRICOS :

1-      Monumento à Independência :
Do escultor Ettore Ximenes, datado de 1921. Nele se encontram os restos mortais de Dom Pedro I e de Dona  Leopoldina, de José Bonifácio e do Regente Diogo Antônio Feijó.  São Paulo.

Monumento à Independência

Cripta Imperial (localizada no Monumento à Inependência SP)

Sala do trono - Palácio de Patrópolis





Museu Imperial Petrópolis (vista)

Carruagem da Família Real







JOÃO DE MELO MACEDO, O JOÃO D’OESTE.

“Ex nihilo nihil fit “(nada vem do nada)

João de Melo Macedo


Há pessoas que nascem e morrem.  Outras nascem, vivem e morrem. Outras ainda nascem, vivem, se tornam heróis e nunca morrem.  Herói é um ser extraordinário por seus feitos guerreiros, valor ou magnanimidade. O protagonista de uma obra literária, diz o dicionário. Álvaro Granha Toregian afirmou que ‘os homens, para se tornarem imortais, precisam inexoravelmente ‘morrer’. Oscar Wilde escreveu que ‘viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe”.
Em seus livros o nome de João de Melo Macedo é grafado como “Melo”. Alguns textos o nome aparece como “ Mello”. Opto pela grafia usada em seus livros.

Em 8 de fevereiro de 1905, nas terras mineiras e em Santa Rita de Cássia, nasceu um menino filho de Venefredo e dona Ana Cândido, morta no parto. Menino esperto, criado pelos tios, aos doze anos de idade escreveu seu primeiro trabalho que ele chamou de folheto – um livro de poesias - com o título de “Primeiras Poesias” publicado em 1917 de forma artesanal. Nosso menino fez a primeira fase educacional em Muzambinho e já era visto como promessa promissora no meio intelectual com apenas dezesseis anos. Na Semana da Arte Moderna de 22, em São Paulo, recebeu honra ao mérito pela participação. Em pouso Alegre se destacou em movimento literário e seu poema “Oração” lavrou classificação como um dos melhores trabalhos. Tornou-se amigo de poetas como Noraldino Vieira, Pedro Saturnino, Antônio Cândido, Odilon Azevedo, Carlos Drummond de Andrade, Mario Guimarães Rosa e outros, e com isto alçou-se à esfera dos ‘astros da poesia’ da época, lapidando, dia a dia, seu estilo e desenvolvendo sua capacidade com o manuseio das palavras em belíssimos sonetos e trabalhos literários fulgurantes.

Em Belo Horizonte chega ao quarto ano de medicina, mas desiste e diploma-se em farmácia e com o diploma na mão, sua alma de aventureiro e pesquisador nato do folclore e da literatura regional, foi atraído pelas lendas e riquezas da região noroeste do Estado de São Paulo e pousa, para nossa alegria, na região do alto do “Jatahy” num lugarejo chamado Tanaby que lutava para se tornar de vila em município, pertencente ao distrito de São José do Rio Preto. Em Tanabi tomou posse de vesga de terra pertencente à sua família e se instalou no meio que sempre sonhou: a natureza bruta, ouvindo o canto dos pássaros e apreciando as intermináveis chuvas como que orquestra para seus ouvidos; seus olhos inquietos sempre à procurado do belo, sua mente aguçada para o natural, o espontâneo e a natureza em festa forjando, como Odin, deus nórdico da sabedoria, o fazia com sua espada, o poeta que nascia com todo seu esplendor sob a ação da bigorna do tempo. Tinha razão Ernest Hemingway quando disse: O segredo da sabedoria, do poder e do conhecimento é a humildade. E isto isso Macedo tinha em abundância.  

Instala-se na vila Tanaby com sua botica e depois a transforma em ‘Pharmacia Tanaby’, um verdadeiro consultório médico onde ele mesmo manipulava remédios que em sua grande maioria era oferecido gratuitamente e por isto recebeu a alcunha feliz de ‘ médico dos pobres. De porte atlético, bem constituído fisicamente, começou a se mostrar como um belo pretendente às moças da cidade e região. Seus poemas e sonetos a elas encantava e ele, muito polidamente, oferecia a cada uma foto sua com bela e específica dedicatória. Na linha de Mario Guimarães Rosa, de quem era amigo, se torna num sertanista e era visto pelas ruas em suas horas de lazer com bombacha branca, botas altas e bem engraxadas, lenço vermelho ao pescoço e enorme chapéu branco, levando à mão um bem trançado rebenque de couro artisticamente trabalhado que brandia durante sua calma caminhada. Sua mente fervilhava e entre o corre-corre da vida e seus momentos de introspecção fizeram nascer em 1935 seu livro “Arribada” que se mostrou como o cordão umbilical dele com as coisas da terra, da labuta do homem do campo, do mugir do gado nos pastos, do barulho das chuvas com seu maestro ribombando a batuta dos trovões. Carlos Drummond de Andrade disse que “ há livros escritos para evitar espaços vazios na estante’, mas Arribada não, este veio para se destacar na estante e ficar no coração de cada leitor dada à forma apaixonante de suas composições retratando a força do homem na terra e em sua lida. O livro era para se chamar ‘Província’, mas acabou se tornando ‘Arribada’, editado pela Empresa Gráfica da Revista dos Tribunais, de São Paulo.

Arribada:
Lá vem eles, lá vem,
trôpegos, marchando,
ao beijo emoliente da soalheira.
A comitiva reduzida,
não os anima o algazarreio das chamadas,
nem o toque dos berrantes,
nem os embala
a barbara melopéia dos aboios.
Caminham vagarosamente,
bois vadios, que se tresmalharam,
rêses que as doenças retardaram
para essa marcha lúgubre e cansada....
Para essa marcha sem poesia,
No desconsolo e no silêncio da arribada....

Como num vulcão em erupção, em abril de 1946 lança “Versos de Outro Tempo”. Macedo costumava oferecer exemplares a amigos especiais porque entendia ser o livro ‘ um pouco avançado’ e não para todos. Não buscava fazer deles comércio. Destaco aqui o que ele pensava do poeta:

A um poeta
Ai! Porque elevas, no tumulto, o canto
e revelas, na praça, a tua dor?
O mundo, sabes? Ri do nosso pranto!
Esconde a angústia do traído amor.
Lágrimas, verte-as, pois, na solidão,
Porque a amizade, aqui, engana e ilude,
e é um nome proibido esse de irmão.
E uma louca ridícula – a virtude.
A teu martírio, cúpido e ferrenho,
esse povo, a quem falas, correrá;
Todos ver-te-ão curvar sob o teu lenho
- Ninguém de ti se compadecerá....
Oh! Mente, mente! O teu rosto jucundo
mascare íntima dor sempre a sorrir;
A verdade não é para este mundo,
ai daquele que não souber mentir”.
(p. 19 )

Interessante é a ponderação que Mario Quintana faz sobre o poeta. Ele diz: A diferença entre um poeta e um louco é que o poeta sabe que é louco...Porque a poesia é uma loucura lúcida”.
Edgard Allan Poe nos diz: “aqueles que sonham acordados tem consciência de mil coisas que escapam aos que apenas sonham adormecidos”. O poeta não é isso?
O livro foi publicado pela Empresa Gráfica da “ Revista dos Tribunais”. São Paulo, em abril de 1946.
O homem urbano com os pés fincados na terra que lavra, que cultiva, que faz produzir e que na botica reverencia aos químicos do passado na busca da cura das dores de quem o procura, e aquele que atrás de uma mesa e de caneta à mão, fez nascer em 1961 o “Cântico do Pioneiro”, com versos ilustrados por Aldemir Martins, transformando palavras em imagens maravilhosas e realísticas do pioneiro de nossas terras – o homem do campo.

Seus livros “Arribada e Versos de Outro Tempo”, provocaram intensa reação de literatos, jornalistas e admiradores em todo o país. De João Guimarães Rosa, recebeu  carta com o seguinte trecho:” De volta de uma viagem ao interior de Minas – à paisagem grande e campineira – pude ler os belos poemas do seu ‘Arribada’, também um viajar, pela poesia, pelas estradas do sertão, com o vagaroso gado, na ruana de marcha braceira, assistindo à hora azul das queimadas, ouvindo o canto do carro de bois ou a buzina do peão...Como poderia deixar de gostar dele? Nessas páginas, eu poderia “cortar o chão o dia inteiro”. Sua poesia é real e eficaz”. Ariovaldo Corrêa – in “Homens e coisas de Mirassol”, escreveu: Há em seus versos uma arte, uma suavidade singular em reproduzir aspectos da natureza, cenas fidelíssimas da vida campeira, ora oferecendo-nos o retrato do camponês, cantarolante, arando a terra e antessonhando o milagre das colheitas, ora trazendo-nos de leve, aos ouvidos, o gostoso rumor da água da grota”. Foram muitos os que se manifestaram sobre o livro, entre eles Sebastião Almeida Oliveira, Orlando Romero, Judas Isgorogota (A Gazeta), Eloy Pontes (O Globo), Nelson Werneck Sodré (Correio Paulistano) e outros. 

Voava cada vez mais alto o ‘canário da terra’, o bandeirante Macedo e, demonstrando sua intensa devoção à Santa Rita de Cássia, padroeira de sua terra natal, escreve, em  dois opúsculos, exaltação à Mãe de Jesus – Tríptico de Santa Rita de Cássia – 1960-  demonstrando o lado humano e religioso de seu coração e mente de poeta. Encanta ao mundo religioso por sua forma e estilo, sem exageros e indo profundamente em seu lado e formação cristã. Baden Powel disse: “Fazer a felicidade dos outros é a melhor maneira de ser feliz”

Não mais conseguindo se livrar de Cupido, Macedo se enamora de Rackel Gauch que por décadas buscou vencer o eterno galanteador e casa-se na Igreja de Aparecida do Norte. Ela era professora de francês e seu aluno Macedo se tornou num expert em leitura e fala na língua francesa. Macedo, nosso Joao D’Oeste, era poliglota dominando o italiano, o espanhol, o árabe, o francês, o grego e o latim. Era jornalista e se correspondia com renomados autores brasileiros e jornais de todo o país. Era um homem atualizado e integrado a seu tempo participando do mundo em que vivia. Falecida a esposa Rackel, casou-se em sua prima, dona Maria Macedo Nubile em 12 de outubro de 1967. Dos casamentos não houve filhos, mas Macedo adotou filho, que morreu de forma precoce, auxiliando outras crianças e ajudando-as na linha da vida.

Sobre ele, o Joao D’Oeste, escrevi:

MESTRE MACEDO.

Braços para trás, caminha
absorto em pensamentos mil,
olhar distante como a avezinha
no céu infinito cor azul anil.
Levanta cedo, saúda a manhã,
visita a cidade, seu povo e ruas,
sempre pensando e com mente sã
lá está o Mestre  em andanças suas.
Filosofa, faz da vida poesia,
canta o amor, domina idiomas,
médico dos pobres, o povo diz,
dá  ao viver refinado aroma.
Intelecto profundamente enriquecido,
personalidade forte, nobre e marcante,
em nosso meio é o bom Macedo querido,
filantropo, humano, de valor relevante.
(Letras em Gotas – p. 41)

Em todo meu aniversário recebia cartão com pequeno verso grafado e com sua conhecida assinatura. Guardo-os com muito carinho.

Macedo viveu e construiu à sua volta um verdadeiro universo de conquistas para a comunidade tanabiense e regional. Não só plantou árvores, escreveu versos, livros, artigos. Ele fundou o Aeroclube, conseguindo a doação de dois aviões para o clube que ministrava aulas de aviação formando pilotos,  o Tênis clube; foi delegado Regional de Cultura da Sociedade de Etnografia e Folclore de São Paulo; um dos criadores do Tiro de Guerra, da Associação Rural, do Clube dos Tangarás, do Tanabi Cestobol Clube, membro-fundador do Lions Clube de Tanabi, mantenedor de várias instituições caritativas, trabalhou na criação do Brasão de Armas de Tanabi em consonância com Antônio do Nascimento Portela, artista plástico de São José do Rio Preto;  autor da letra do Hino do Município de Tanabi, um dos criadores e mantenedor da antiga Escola Técnica de Comércio Visconde de Mauá, hoje Fundação Educacional que leva o seu nome. Não retinha seu conhecimento só para si. Era palestrante e conferencista e representou a região na Festa da Uva do Rio Grande do Sul (1954) onde, entre outros, saudou o Presidente da República, Getúlio Vargas, que visitava aquele empreendimento. Causou espanto sua eloquência e oratória, fazendo seu discurso em quatro idiomas simultaneamente e dando uma ‘aula’ sobre vinicultura. Chegou a ser sondado para ser Ministro da Cultura. Sócrates afirmou: “As almas de todos os homens são imortais, mas a alma dos homens justos são imortais e divinas”.

João D’Oeste não ficou só nisso. Foi prefeito nomeado de Tanabi de 28 de dezembro de 1943 a 01 de março de 1945. Capitaneou o processo de elevação do Município de Tanabi a comarca, instalada em 13 de junho de 1945. Sabendo que um homem deve plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho, como não conseguiu esta última ‘exigência natural’, fundou a cidade de Macedônia no dia 07 de maio de 1945 em terras de sua propriedade que loteou e doou a pessoas e instituições. Ajudou a abrir as picadas, atuou na derrubada da mata e colheu os primeiros balaios de café em sua antiga propriedade, a Fazenda Santa Maria das Anhumas. Recebeu em vida várias homenagens como a Medalha Santos Dumont do Ministério da Aeronáutica, títulos de cidadão em Cunha e Cássia, nomes de escolas (Diadema-SP) e com seu violão cantava músicas da velha guarda em saraus culturais que fazia organizar. Professor de português e Latim, traduziu a obra “Divina Comédia” para o grego, escreveu e adaptou várias peças de teatro além de traduzir do inglês para português a obra ‘Oficial da Guarda”, do repertório da CIA, escrevendo inúmeros monólogos, como por exemplo “as Carmelitas”.  Fez jus ao que disse Jack London : ‘ A verdadeira função do homem é viver, não apenas existir’.
Como soe acontecer com todos, a chama de sua vida se extinguiu no dia 18 de outubro de 1981 aos setenta e seis anos. Olavo Bilac disse: “envelhecemos rindo! Envelhecemos como as árvores envelhecem.” Com ele não foi diferente e deixou frutos a mancheias.  Steve Jobs disse: “ cada sonho que você deixar para trás, é um pedaço de seu futuro que deixa de existir”. Ele viveu todos os seus sonhos e transformou em realidade muitos e nossos sonhos. Seu nome foi perpetuado, também, na praça central da cidade “ Praça Joao de Mello Macedo”, declarada recentemente por trabalho encetado pelo jornal Diário da Região como uma das sete maravilhas da região. Seu corpo está sepultado no Cemitério Central da cidade.

Cora Coralina afirmou que: ”poeta, não é somente o que escreve. É aquele que sente a poesia, se extasia sensível ao achado de uma rima, à autenticidade de um verso”. Ele foi assim.

Era João de Melo Macedo um homem que vivia e observava tudo à sua volta. Numa de nossas memoráveis reuniões quando da elaboração da letra do Hino de Tanabi, ele, parado e de olhos fixos nas lâmpadas fluorescentes da sala, foi por mim chamado à realidade, e ele, com sua voz anasalada e firme, sem tirar os olhos das lâmpadas, me perguntou: ....Caprio, pingo é letra? Eu prontamente respondi que sim. E ele, depois de uma bela gargalhada, e observando os pontinhos (coco) deixados lá pelas moscas, completou...  então a mosca é escritora.....


Este era “ João de Melo Macedo, nosso João D’Oeste. 

sábado, 19 de novembro de 2016

DIA DA BANDEIRA (REPÚBLICA À BRASILEIRA)



O Império Brasileiro estava enferrujado em 1889. Pedro II já não governava, talvez em razão da idade e da inépcia de seus ministros e assessores. Os republicanos diziam que o regime monárquico tinha ficado caduco. A monarquia não tinha sucessor. A princesa Isabel não era qualificada para a sucessão e seu marido francês, o Conde D’Eu, piorava ainda mais a situação. A República esperava a morte do Imperador. O último Primeiro-ministro, o Visconde de Ouro Preto, já não controlava as rédeas do governo. Nos círculos militares o Visconde era execrado e ignorado. Nas ruas, era desconhecido pelo povo. Republicanos e monarquistas pretendiam sua queda.

A modernidade chegava ao Brasil. No Oeste Paulista os coronéis e barões do café queriam mais apoio. São Paulo crescia e causava ciúmes às outras províncias, como Minas Gerais, Rio de janeiro e Rio Grande do Sul. Indústrias pipocavam por todas as províncias. Estradas de ferro rasgavam o território brasileiro. O cenário era preparado pela própria evolução natural da economia. A política estava emperrada. O Império não tinha futuro. Teria de ser extinto no Brasil. A modernidade e o progresso só chegariam via República. Esta era a ideia vigente.

A imprensa batia forte no Imperador. As províncias queriam agilidade no governo. Estudantes brasileiros faziam ferver os centros do poder como São Paulo e Rio de Janeiro.O Partido Republicano Paulista, o poderoso PRP ganhava adeptos em todo o território nacional. Auguste Comte, positivista francês, era lido por todos. Benjamin Constant, Teixeira Mendes e Miguel Lemos se tornam em bandeiras positivistas brasileiras. A elite intelectual brasileira entrou no processo republicano. Militares em 1887 fundam o Clube Militar. O Marechal Deodoro da Fonseca, líder inconteste, era preparado para o grande momento. Resistia à ideia de liderar o movimento, mas não negava seu valor e necessidade. A Maçonaria preparava o terreno para o nascimento da República.

Dom Pedro II ameaçou punir republicanos da área militar, pensando com isto afastar a queda iminente. Os marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto assumiram a defesa dos colegas de farda. Por volta das 09:00 horas da manhã de 15 de novembro de 1889, Deodoro anuncia publicamente a queda do Império frente a uma parada militar formada por um grupo de soldados. Nada sério parecia estar acontecendo. Demite o Ministério e volta para sua casa. Coloca o pijama e vai para a cama como se nada tivesse acontecido. O povo não ficou sabendo do fato, como sempre. A tão esperada República chegou como uma garoa passageira. Estava proclamada a República Brasileira. Poucos viram. A Família Imperial foi banida. 

Os republicanos, com a batata quente na mão, agora não sabiam o que fazer com ela. A República foi por muito tempo acalentada e de repente não se sabia o que fazer. Só quatro dias depois ficou pronta a bandeira da República, projeto de Raimundo Teixeira Mendes e Miguel Lemos, com desenho de Décio Villares. A costureira só terminou o trabalho por volta do meio-dia de 19 de novembro. Foi hasteada pela primeira vez no dia 19 (consagrado a ela) às 12:00 horas. Juristas fizeram oficializar a proclamação da República às pressas. O improviso deu conta a inúmeras gafes e muitas piadas, não só interna como externamente falando.

Assim nasceu a República no Brasil. O lema de Comte: Ordem e Progresso, estampado em nossa bandeira, tenta afirmar que o Brasil só será uma verdadeira república se não houver ‘desordens’ provocadas naturalmente pela democracia ou pela incapacidade de seus governantes. Lá se vão 127 anos de pífios governos e desastrados governantes, exceção à exceção.

Parecendo brincadeira de soldadinhos de chumbo, nossa ‘República’, associada com a figura da Justiça chegou, não emplacou, está mais enferrujada que o Império e a democracia parece cada dia mais engraçada, com sua balança na mão, pesando dinheiro que recebe das mãos de quem não vê mas que tem valor e tudo compra.

Tivemos um descobrimento à portuguesa, um Império sem rumo e uma República banalizada. Assusta-me o que presumo venha por aí. 

Aí é que a coisa pega. E como pega...

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

SE EU FOSSE DUPLICADO

por Antonio Caprio



O sonho, a suposição e a fantasia estão presentes nas pessoas em todos os níveis. Quando sonhamos ‘criamos’ uma fantasia e nalguns momentos estas fantasias, estes sonhos, podem se tornar em pesadelos. Nalguns poucos casos, os sonhos são premonições perfeitas com algumas distorções. Cientistas já escreveram e fizeram conjecturas das mais variadas sobre os sonhos, inclusive Sigismund Scholomo Freud. ( 1856 – 1939). 

Vamos caminhar pela trilha da suposição, do sonho. Imagine que você, num estalar de dedos, seja duplicado com todas as suas características, formas, conhecimento, informação e fique de cada-a-cara com você mesmo, olhando olho-no-olho. Você olhando para você sem a magia do espelho. Você encararia ‘você’? 

Nós temos costume de saber de tudo sobre todos ou o máximo possível. Os outro sabem sobre nós às vezes muito mais do que nós mesmos. Você sabe tudo sobre você e muita coisa você faz de conta que não sabe. Nem mesmo você se atreve a pensar sobre seus ‘segredos’. O eu é o lugar mais secreto do mundo das ideias 

Você, sentado num banco de jardim, lado a lado com seu duplo, escolheria você para ser seu amigo, mas amigo mesmo? Você confiaria em seu ‘outro’? Se atreveria a olhar nos olhos do outro que é você mesmo? Falaria para o ‘outro’ o que você esconde de você mesmo? Contaria para ele tudo sobre você? Confiaria mesmo ‘nele’? Assinaria uma procuração dando plenos poderes para ‘ele’? 

No mundo em que vivemos, e apenas por experiência única e jamais repetida, confiar foi coisa de ‘fio de bigode’. Foi. Será que ainda é? Em que nível?

Vivemos no tempo da globalização. O mundo se tornou pequeno nas ondas da internet. Não há mais conhecimento estanque, próprio de alguns ‘iluminados’. A informação não é conhecimento. O conhecimento é livre hoje e se o cidadão não souber usar a informação você jamais terá conhecimento.

Nossos problemas ficam trancados no interior da máquina biológica chamada cérebro. Só saem de lá se houver uma senha específica. Ninguém, mas ninguém mesmo sabe o que você pensa se não escrever ou falar. Teu ‘amigo duplicado’, você, sabe o que você pensa e muito mais. 

Num processo judicial quem sabe sobre ‘sua verdade’? Você. Só você. Ninguém mais, mas teu ‘ amigo duplicado’ sabe e com detalhes, todos os detalhes. Todos.

Isto o angustia? Isto lhe causa medo, pânico? Isto lhe agrada ou não lhe diz respeito? 

O homem é um ser gregário e não vive senão em sociedade. Este gregarismo constitui a sociedade humana. Diz o texto bíblico cristão: não é bom que o homem viva só....



E então? O que você acha de ter um ‘outro’ que sabe tudo sobre você, mas tudo mesmo?